Talvez você tenha um mouse velho de guerra que veio de brinde com o seu computador, e talvez você ache que isso é bom o suficiente. Pra quê se preocupar com essas frescuras de mouse gamer? Tem três botões em cima e uma bolinha embaixo, um mouse não precisa mais do que isso, certo? 

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Isso é um mouse ou uma caixa de interruptores?

Calma lá, tiozinho. Okay, tecnicamente você não precisa de nada mais complexo que três botões e uma bolinha, mas o mero fato de que o seu mouse atual é mais complexo que isso já mostra que nós não estamos usando apenas o equipamento estritamente necessário pra operar o computador, certo?

Frequentemente vale a pena investir em seu mouse: ele e o teclado são os dois componentes que você mais mexe no seu computador, às vezes por horas a fio, então é bom que sejam confortáveis e agradáveis de usar. Além do que, ao contrário de placas de vídeo ou cpu, é um investimento que não fica obsoleto em seis meses. Um bom mouse dura tranquilamente quatro ou cinco anos, mesmo considerando eventuais quedas. Compare isso com aqueles mouses que você compra por dez reais…

E mouse bom não é mais acessório exclusivo de gamer! Todas as grandes marcas permitem que você reassigne os botões do mouse para outras funções, teclas ou combinações, o que os torna muito práticos no dia a dia. Navega constantemente na internet? Coloque Ctrl+Tab no seu mouse! Edição de texto? Coloque Ctrl+C, Ctrl+V e Ctrl+Z! Passa seus dias escovando planilhas de Excel? Você pode colocar fórmulas inteiras no clique do mouse!

Agora que já expliquei as vantagens de você investir em um mouse, deixa eu te explicar no que você tem que prestar atenção pra não se arrepender da conta depois:

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Olhe para a sua mão. Preste atenção em como você segura o mouse. O design dos mouses é baseado na forma como você o segura, e comprar um mouse feito pra ser segurado de forma diferente do que a sua é pedir pra estranhar ele. Os fabricantes se referem às “técnicas” de segurar o mouse pelos seguintes nomes:

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Palm Grip: Segurar o mouse com a palma da mão, deixando os dedos livres para os botões.

Palm Grip: Você apoia a mão inteira no mouse, usando a palma para movê-lo e controlando os botões com os dedos. O movimento do mouse é feito com seu pulso e antebraço. É uma forma naturalmente mais confortável e rápida de controlar o mouse, porém imprecisa. Mouses feitos para o Palm Grip geralmente tem uma saliência na parte de trás para tornar mais confortável o apoio da mão ali.

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Claw Grip: Mão apoiada no mouse, mas são os dedos que estão controlando ele.

Claw Grip: A palma de sua mão encosta no mouse, mas não está realmente apoiada nele. O movimento é controlado principalmente pelos seus dedos mindinho, anular e dedão, e o esforço físico é no pulso. Os mouses pra Claw Grip costumam ser mais longos e ter bordas chanfradas: o tamanho longo é pra apoiar a mão confortavelmente, e as bordas chanfradas é pra tornar mais fácil levantar o mouse repetidamente. Afinal, segurar o mouse desse jeito é preciso e rápido, mas o alcance de seus movimentos é bastante limitado.

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Fingertip Grip: Encostando só os dedos no mouse, com a palma da mão levantada.

Fingertip Grip: É como se você tivesse nojinho do mouse. Você segura ele apenas com os dedos, sem encostar a palma de sua mão. É uma forma extremamente precisa de segurar o mouse e extremamente exaustiva: se você tiver uma tendinite ou LER, meu amigo, eu fortemente sugiro que você não tente segurar o mouse desse jeito. Mouses projetados para o fingertip grip costumam ser pequenos, curtos e relativamente planos.

Claro, eu nunca vi ninguém que fez uma decisão consciente de sempre segurar o mouse apenas de um jeito e leva cinco chibatadas se mudar. Você frequentemente muda entre posições: isso não é uma questão de certo ou errado, é uma questão de conforto! Se você começar a prestar atenção em como você segura o mouse, vai rapidamente identificar qual posição você usa mais. E claro, o tamanho de sua mão e o tamanho de seu mouse também influenciam! Eu uso Palm Grip quase que exclusivamente, mas o meu mouse tem literalmente o tamanho e peso aproximados de um pote de Nutella. Quando eu pego emprestado o mouse do notebook de alguém, eu simplesmente não consigo usá-lo confortavelmente: se eu o seguro da forma que estou acostumado, meus dedos ficam muito além dos botões. Sabendo disso, quando eu comprei um mouse novo pro meu notebook, fiz questão de me certificar que ele seria grande o suficiente para que eu pudesse usá-lo da forma que estou acostumado.

Com Fio ou Sem Fio

Outro fator importante, cuja resposta não deveria ser simplesmente “o mais barato”. Mouses sem fio costumam ser mais convenientes porque não enroscam nem fica aquele rabo preto estirado pela sua mesa, mas tem outros problemas. O pessoal gamer já conhece o velho lag de mouses sem fio: é verdade que ele melhorou muito, mas ainda existe. Pra quem joga a nível profissional, um delay de 1ms no movimento pode lhe custar a partida inteira. Além disso, mouses sem fio operam na frequência de 2.4Ghz, e como eu expliquei na semana passada, isso os torna causadores de interferência, à qual eles mesmos estão sujeitos. Em termos mais claros: eles vão piorar o desempenho de seu wifi, e o seu wifi vai piorar o desempenho deles. Isso também se aplica à outros dispositivos sem fio, como teclados, fones de ouvido e/ou telefones.

E se você for seguir pelo caminho dos sem fio, mantenha sempre em mente a tecnologia que aquele mouse específico usa. Existem mouses que conectam por Rádio Frequência (RF) ou por Bluetooth: RF tem menos delay no movimento e alcance maior, mas exige um receptor USB específico pra funcionar: se você perder ou quebrar esse receptor, o mouse já era. Bluetooth tem mais lag e menos alcance, mas sofre menos interferência. Conectar por Bluetooth tem mais uma vantagem para laptops, tablets e pessoal com placas-mãe topo de linha: se o seu computador já tem Bluetooth, você não precisa gastar um slot USB para conectar o mouse, o que o torna uma dádiva pra quem usa Ultrabooks com apenas uma ou duas portas USB.

Ah, e não se esqueça do velho problema da bateria: Mouse que usa pilha dura menos tempo e tem o mau hábito de acabar a carga no meio da sua jogatina, mouse que usa bateria recarregável dura mais tempo, mas a maioria delas é difícil de ser substituída quando der problema, o que vai levar uns dois anos pra acontecer.

Sensibilidade

A sensibilidade em mouses é medida em Dots Per Inch (DPI). DPI é literalmente a quantidade de pixels que o ponteiro do mouse viaja pra cada polegada que o mouse viajou em cima de seu mousepad. De novo, é mera questão de conforto, pelo menos fora dos games. Em jogos, existe uma vantagem óbvia em você precisar de um movimento menor para fazer a mesma curva que seu oponente que está jogando com uma sensibilidade mais baixa. Mas no dia a dia, apenas você pode decidir se o seu mouse está muito rápido ou muito devagar.

A maioria dos mouses de qualidade vai ter algum ajuste de DPI, seja via software ou seja via botões no próprio mouse. Esse ajuste é tão comum que essa frase originalmente dizia “Todos os mouses tem ajuste de DPI”, até eu lembrar que existem fabricantes duvidáveis que fabricam porcaria e vendem como se fosse produto de qualidade. E mesmo esses mouses sem ajuste nenhum, você consegue averiguar o DPI através de ferramentas como essa. Mas pra você ter um parâmetro de comparação, mouses gamer geralmente tem entre 800 e 1200 DPI, mas existem umas monstruosidades que prometem três, quatro, oito ou até doze mil DPI. Esses mouses com DPI extremamente alta servem apenas para você se gabar pros seus amigos, sinto muito: Vamos supor que você tenha uma tela Full HD, ou seja, resolução de 1920×1080. Isso significa que a largura de seu monitor é de 1920 pixels. Com doze mil DPI, mover o seu mouse um centímetro pra direita jogaria o seu cursor para o canto esquerdo do quarto monitor. Ainda que você realmente trabalhe com quatro monitores colocados lado a lado, eu não consigo ver como isso seria confortável de usar no dia a dia, pra escolher itens numa lista e clicar em ícones.


 

E isso é basicamente o que você precisa ter em mente para escolher um mouse que lhe atenda. Efetivamente, quando você decidir que quer um mouse Claw Grip, com botões próximo ao dedão, sem fio, RF e com bateria recarregável, vai descobrir que apenas um ou dois modelos assim são fabricados pelos fabricantes de renome. E se você está pensando em investir de verdade num mouse, siga a seguinte máxima elitista: se você não conhece a marca, presuma que não presta. Você definitivamente não quer ser o sortudo em seu círculo social que vai desembolsar R$300 pra descobrir se os mouses da Huawei são bons.

Mas como saber se a marca é boa? Antes de responder isso, eu preciso fazer um disclaimer: se você sabe a resposta dessa pergunta, o artigo acabou pra você, pode parar de ler por aqui. A resposta dessa pergunta é genuinamente pra quem quer uma sugestão e não tem tempo e/ou interesse de procurar na Internet.

Pessoalmente, eu confio em qualquer mouse da Logitech, Razer, Microsoft, Roccat ou Steelseries. A Madcatz está em liberdade condicional: ela era famosamente horrível nas décadas de 1990 e 2000, mas em 2007 comprou a Saitek e desde então ela vem melhorado aos olhos da crítica. Se eu achasse um Madcatz fabricado a partir de 2008 com um preço bom, eu arriscaria.

De novo, eu não estou dizendo que as outras marcas são ruins. Como você deve ter percebido, mouse é uma coisa muito pessoal!



 

 

  1. As imagens usadas pra ilustrar a seção de ergonomia foram retiradas de um antigo Guia de Ergonomia publicado pela Razer.

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