Esse fim de semana passado foi o GP São Paulo 2015 de Magic! Muitos de vocês sabem exatamente o que isso significa e qual a função desse torneio, mas ao mesmo tempo a sua relevância é bem pouco intuitiva pra maioria da população: pra quem não joga Magic, é complicado entender esse torneio que não é nem o Nacional, nem o Mundial, mas pode ser potencialmente tão importante quanto esses dois. E mesmo pra quem joga Magic casualmente, não é tão óbvio assim a razão pela qual eles deveriam se importar com o GP. Afinal, se eu não jogos torneios, porque esse deveria me interessar?

GaleraO GP é o maior torneio aberto do circuito profissional de Magic. Em outras palavras, é o maior torneio que qualquer pessoa pode simplesmente pagar a inscrição e jogar. Todos os campeonatos mais relevantes que o GP exigem que você se qualifique, seja ganhando uma série de campeonatos anteriores, seja conseguindo Pro Points. E como você consegue Pro Points? Bom, a maneira mais fácil é ganhando o GP! E esse é o apelo do GP: ele não vai te dar o título de Campeão Mundial, mas é a maneira mais fácil de ganhar dinheiro jogando Magic: Além do prêmio de quatro mil dólares, ganhar o GP é o primeiro degrau para começar a se qualificar para os torneios maiores.1

Joao Avao
“Oh, outra Ilha. Porquê ninguém me traz uma Arma do Legado pra assinar?”

Isso explica pra quem não faz ideia do que seja um GP a importância do torneio, mas ainda não explica qualé a importância dele pra quem não joga torneios. E essa importância é tudo que acontece ao redor do torneio. O torneio principal é apenas um pano de fundo: o GP é como uma convenção de Magic! Não apenas tem alguns milhares de jogadores de Magic com pastas de cartas para trocar e vender, lojas do Brasil inteiro (e de fora do Brasil também) trazem ofertas especiais e cartas raras para serem vendidas. Além disso, artistas são convidados para vir, assinar cartas e conversar com os fãs. De vez em quando, até funcionários da Wizards aparecem pra desafiar os jogadores em partidas amigáveis, valendo (ou não) prêmios! É uma grande festa!


Esse ano, tivemos o maior GP da América Latina, com 1300 jogadores no evento principal e mais uma caralhada cúbica de gente nos eventos paralelos. Se você acha que “caralhada cúbica” não é uma unidade de medida aceitável, é porque você não estava no GP tentando se inscrever em algum evento paralelo.

Fila
E eu só tive a ideia de tirar foto da fila depois de quase três horas esperando nela!

Tradicionalmente, na sexta feira do GP eles fazem um torneio principal dando Byes pro GP2. Ao mesmo tempo, a sexta feira é a última data pra você se inscrever para o torneio principal do GP, que começa no sábado. E, claro, existem dezenas de torneios paralelos cujas inscrições também acontecem ao mesmo tempo. Houveram alguns problemas com a organização, e pra encurtar a história, todas essas inscrições estavam sendo feitas no mesmo guichê, com a mesma fila, pela mesma pessoa (que aparentemente não jogava Magic)… Como eu disse, uma caralhada cúbica de gente. Rapidamente desisti da ideia de jogar os torneios paralelos, mas eles não se acanharam, e aconteceram às dezenas. Modern, Standard, Draft, Commander, tanto fazia. Juntava oito pessoas, e rolava o torneio.

Bar
Alcóolatra cuidando do bar…

No segundo dia, eu terminei ajudando um camarada: faltou gente que ia trabalhar na loja dele, então fiquei lá pra dar uma mão… O que pode ou não ter sido uma ideia genial! Tive a oportunidade de comprar várias cartas por preços incríveis, mas ao mesmo tempo, gastei muito mais dinheiro do que esperava… De qualquer forma, ficar o dia inteiro numa loja de cartas foi muito mais divertido do que eu esperava, mas ainda assim, eu não pude acompanhar o que estava acontecendo no evento durante o sábado!

Apesar dos problemas na organização que eu percebi na sexta, esse foi o GP com melhor estrutura dos últimos anos: o GP Rio de Janeiro dois anos atrás foi num lugar quente como o colo de Satanás, os jogadores estavam derretendo enquanto uma escola de samba literalmente praticava a sua bateria no andar de cima. O GP São Paulo do ano passado não era um lugar ruim durante o dia. À noite, todavia, as lâmpadas que estavam lá não eram de forma alguma suficientes para iluminar o ambiente. Especialmente nas lojas, após as cinco horas da tarde você simplesmente não ia mais ver nenhuma carta. O GP desse ano foi em um centro de convenções com ar condicionado, boa iluminação, próximo a uma estação de metrô e localizado em cima de um shopping.

No domingo, continua a cornucópia de campeonatos paralelos. Apesar das filas para se inscrever nos torneios continuarem sendo gigantes e confusas, são bem mais toleráveis com amigos do que sozinho! Quando começou o top8, me chamou a atenção a quantidade de chilenos!

Chile
Chilenos no GP: os três que estão embaixo foram para o Top 8.

Um de nossos hermanos até chegou na final com o PV, e a quantidade de chilenos num campeonato desses muitíssimo me anima: Quando aparece aqui no Brasil um jogador profissional dos confins da Ásia, eu não estranho tanto. O cara é um jogador profissional, isso é literalmente o trabalho dele! Mas quando pessoas comuns planejam viagens para vir até aqui pra jogar Magic, isso mostra como o nosso joguinho é grande no Brasil! Eu entrevistei os três chilenos do top8 a respeito das diferenças do Magic no Brasil e no Chile, e pra minha surpresa todos os três repetiram que as lojas que visitaram aqui eram muito maiores e com muito mais variedade do que qualquer coisa que eles já viram em suas cidades natais.

Além da entrevista com os chilenos, também consegui entrevistar o Paulo Vitor, ganhador do GP! Assim que terminar a edição, vou publicá-la em nosso canal no Youtube, fiquem de olho!



 

 

 

  1. Claro, existem OUTRAS formas de conseguir Pro Points e/ou se qualificar para os torneios maiores, mas nenhuma é tão simples quanto o GP!
  2. Um “Bye” é uma vitória grátis. Se você tem dois Bye para o GP, isso significa que você não precisa jogar as duas primeiras partidas do campeonato, você automaticamente ganhou.

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