Também conhecido como Commanders em Ação #6: Agora por dois mana a mais!

Olá, comandantes! Antes de mais nada, peço desculpas pelo atraso na publicação desse capítulo do Commanders em Ação, a minha série favorita de artigos focada no melhor formato de Magic! (Eu IA dizer “a sua série favorita”, mas sejamos razoáveis, né?) De agora em diante, o Commanders em Ação será publicado aqui no Fazendo Nerdice, mas você pode sempre reler os artigos antigos aqui mesmo ou na Mantis TV, onde eles permanecerão! Agora, voltamos à nossa programação normal:

Meus últimos artigos foram sobre a lista de banidas de Commander, tanto a modalidade francesa quanto o formato padrão, focado no multiplayer. Mostrei as listas e trouxe a razão que os respectivos comitês de regras deram para elas serem banidas. Mas isso não significa que eu concorde com as razões, nem que eu ache que o procedimento do comitê de regras seja o melhor possível.

Todos os membros do comitê de regras tem duas listas de cartas em observação: uma de cartas que deveriam ser banidas, e uma de cartas que deveriam ser desbanidas: Quando chega a época de anunciar os banimentos, essas listas são comparadas: qualquer carta que esteja na mesma lista de todos os membros será banida/desbanida de acordo. Ninguém aqui está dizendo que é um sistema infalível e imune à fraudes, mas pelo menos tem alguma transparência, e a ideia, se respeitada, funciona. O comitê de regras francês, por outro lado, não revela o seu procedimento para escolher cartas a banir.  É pouco provável que o comitê de regras (tanto o francês quanto o padrão) faça uma escolha que propositalmente machuque o formato. Afinal de contas, essa é a razão para eles nunca terem passado o formato pra Wizards: dessa forma, eles podem garantir que a coisa mais importante para o formato sempre será a diversão, e não o lucro. Mas fato é que  não há nenhuma evidência de que o Emmanuel Bernuau não simplesmente apareceu num campeonato, tomou seis Cataclysm em quatro rodadas, ficou puto, deu chilique e baniu a carta. Nós precisamos aceitar que o comitê avaliou cuidadosamente todas as ramificações do banimento de Cataclysm e concluíram através de meios objetivos que remover essa carta do formato seria mais benéfico do que mantê-la.

Mas efetivamente, eles funcionam como se fosse uma empresa separada: eles não respondem à ninguém por sua ação ou inação, e podem tomar qualquer decisão independente das consequências. Se o comitê decidisse destruir o formato completamente, eles conseguiriam. E isso nem daria trabalho. Por isso nós precisamos aceitar e confiar nas decisões do comitê: simplesmente não temos alternativa. Mas será que todas as suas decisões realmente são acertadas? Será que elas aguentam uma análise objetiva de suas causas e consequências?

O comitê de regras mantém as suas razões muito próximas a si próprios, e raramente dão explicações para o público. Chegam até ao ponto de excluir tópicos nos fóruns em que os “civis” tentam adivinhar que cartas fazem parte de suas listas de observação. A bem da verdade, eles fazem muita coisa certa: eles tem uma filosofia de jogo que parece ser respeitada em suas decisões, tentando fazer o formato ser variado e focando o aspecto social. Todo mundo que já jogou contra Emrakul no mesão ou contra Derevi na lista francesa sabe o que é um jogo realmente chato.

Mas alguns erros eles cometem, e esses é que são difíceis de engolir.

203
“Impossível de vencer com um deck aggro” a menos que você saiba jogar, claro.

O principal que eu vejo é a falta de transparência em suas decisões. Quando a DCI bane alguma carta dos formatos construídos, eles publicam artigos a respeito. Quando o comitê de regras bane alguma carta em Commander, eles às vezes escrevem um rápido parágrafo dando uma desculpa qualquer.

Um dos grandes exemplos disso é o Oloro, Ageless Ascetic. Quando ele foi banido da Lista Francesa, a justificativa dada foi de que era impossível ganhar dele com um deck aggro. Ponto final, próximo tópico. Eu não acho que ninguém era contra esse banimento, não é como se não existissem razões sólidas para fazê-lo! Eles poderiam justificar que ele acabava com a variedade do formato, não era raro encontrar quatro ou cinco Oloros no top8 de qualquer torneio. Eles poderiam justificar que a habilidade do Oloro de afetar o jogo da zona de comando configurava uma vantagem desbalanceada que nenhum outro comandante tem. Diabos, eles poderiam justificar dizendo que “na loja onde eu jogo tem aparecido muito Oloro, e já deu no saco.” Até isso seria aceitável: afinal, eles são cinco pessoas que controlam o ambiente baseado em sua percepção pessoal, eles não tem uma rede interligada de computadores comparando os dados de todos os campeonatos que acontecem no mundo como a DCI. Outro exemplo clássico é o Vampiric Tutor que foi banido desde a criação do formato, e nunca houve nenhuma justificativa para tal, apesar de Demonic Tutor que é mais rápido e eficiente não ser.

O que me leva ao segundo grande erro, que é a inconsistência em suas decisões. Além do exemplo dos tutores vampírico e demoníaco, temos um caso clássico no commander padrão que é o Painter’s Servant. Ele é banido porque é uma peça vital pra um combo muito eficiente. Todavia, Worldgorger Dragon não é banido, e é peça vital para um combo exatamente tão eficiente e rápido quanto. Porque um é banido e o outro não? Por anos houveram reclamação de que Metalworker era banido por gerar muito mana, enquanto Rofellos, Llanowar Emissary era liberado, desde que não fosse o comandante. Daí recentemente desbaniram o Metalworker, mas em contrapartida baniram Rofellos! Afinal, qual a lógica nisso? Será que o problema é a cor do mana que ele gera? Será que o comitê mudou de opinião e decidiu agora que Rofellos é perigoso, mas Metalurgista não? E o que isso significa pro Berço de Géia? Posso ficar tranqüilo ou devo me preocupar que o preço do meu vai afundar? Percebe que essa falta de lógica nos banimentos causa uma preocupação na base de jogadores? Se eu não tenho como me basear na atual lista de banidas pra saber o que não é aceitável, como posso avaliar as minhas cartas?


 

Claro, mesmo dizendo tudo isso, ainda acho que o comitê de regras faz um trabalho bem feito. Independente dos erros que eles cometem, o formato ainda é super popular e cresce cada vez mais. Os dois formatos. Para o Commander Padrão, o comitê é literalmente o primeiro grupo a dizer “se o seu grupo acha a lista de banidas ruim, ignore-a, aumente-a, diminua-a, faça o que quiser.” Para o Commander Francês, o formato está de vento em popa no Brasil e é tão variado quanto Modern, Standard ou Legacy. E, bom, todo mundo comete erros, certo? O importante é o resultado final, e todo mundo que leu isso até aqui acha que Commander é um negócio divertido o suficiente pra acompanhar uma coluna sobre o formato que nunca traz deck lists ou dicas de estratégia.

E quanto à ideia de respeitar ou não a lista de banidas: A importância de saber a lista de banidas oficial é pra jogar com quem você não conhece. Eu conheço oito pessoas com as quais eu poderia jogar com um deck de Richard Garfield, que são as mesmas oito pessoas que não acham que Braids, Cabal Minion deveria ser banida. Quando eles vem jogar aqui em casa, essas cartas valem. Mas seria babaquice eu chegar numa loja qualquer onde eu não conheço ninguém e sentar pra jogar com desconhecidos usando um deck de Braids, Cabal Minion e querer forçá-los a aceitar. Da mesma forma, se um amigo trouxer alguém pra jogar aqui em casa e ele ficar de mimimi porque Unhinged não é oficialmente aceito, ele tem duas opções: aceita e se diverte com todo mundo, ou fica sentado no sofá da sala esperando a gente jogar até cansar.

É uma mera questão de você saber medir as suas prioridades no momento.

 

 

Artigos Relacionados

4 COMENTÁRIOS

  1. Vou comentar porque, ah sei lá, quero mostrar que eu l :3

    Quando o assunto é um formato for fun, e sejamos honestos, comander não é pra ser esse ultra competitivo, acho que o mais válido é fazer as famosas ‘house rules’.

    Por mim as lojas poderiam sim editar listas de banimento próprias se o acharem conveniente, até porque a comunidade comander é uma comunidade, é uma galera brother, que joga pra se divertir. Só campeonatos de comander possibilitam o jogador ligar pro amigo e avisar “olha to chegando atrasado, esperem um pouco que já já eu to ai” em um campeonato oficial seria ‘sinto muito amigo, mas regras são regras’ e o champs começaria com ele ali ou não.

    Enfim… gosto de saber que em lojas os formatos mais for fun estão fazendo sucesso, até porque, é legal ver o ambiente mais heterogêneo e menos condensado. E falando nisso, ainda preciso reviver meu deck de comander aqui, é simpório, mas já da pra divertir.

    • Eu fico meio com o pé atrás quando lojas, e não grupos de jogadores, inventam de mexer na lista de banimentos… Afinal, a loja visa o lucro, não a farra. Além disso, eu definitivamente não gosto quando grupos INCLUEM coisas na lista de banidas. Se o cara me disser “Aqui não tem problema jogar de Black Lotus”, tudo bem, meu deck ainda funciona. Mas se o cara diz “Ah, aqui a gente baniu counters” e eu estou com um deck de counter, eu simplesmente não posso jogar!

  2. Acredito eu eles banem a carta pela consistência e fragilidade da mesma. Por exemplo um demonic tutor eh MUITO mais frágil que vampiric tutor, afinal vampiric tutor pode ser feita na primeira rodada e que acaba criando situações chatas sem chance de counter(como um milagre), ja demonic tutor também pode ser feito na primeira rodada, mas há a necessidade de gastar mais cartas etc.(apesar de demonic tutor escalar bem com o late game)
    Outro bom exemplo é oloro que não tem nenhuma fragilidade, a carta eh boa só pelo fato de ser comandante, poucos decks conseguem lidar com tamanha consistência, alem das cores que o oloro trabalha serem extremamente consistentes, acarretando em um game totalmente desinteressante.
    O comitê provavelmente evita publicar artigos e etc para evitar transtorno de players depois reclamando:” então pq não bane tal carta ou carta tal que faz a mesma coisa.”Afinal é um formato forfun msm.
    Apesar de parecer uma inconsistência em suas decisões, mas acredito eu que eles não querem tornar commander em um formato poker, em que determinadas cartas juntas permite a vitoria certa, mas também não querem a morte de decks combos .
    Bom essa é a minha opinião xD

    • Rafa, eu concordo absolutamente com o banimento do Oloro. A carta precisava ser banida, e isso era óbvio. A merda está em dar uma desculpa esfarrapada para o banimento da carta, quando há tantas razões tão boas para fazê-lo!
      E quanto ao Vampiric/Demonic, o grande problema do Vampiric é que ele te custa um draw, além do custo de mana. Com exceção dos milagres, eu não consigo imaginar nenhuma jogada “roubada” que ele permita no turno 2 que o Demonic Tutor não permita também, mas os milagres foram lançados mais de um ano depois do banimento!

Deixe sua Resposta