Olá, Comandantes! Se você gosta de desenvolver a lista de seu próprio deck, com certeza já sentiu aquele arrepio no bolso ao procurar o preço de uma carta antiga que você nunca viu ninguém usar. Mas porque  isso acontece? Dá pra entender porquê uma carta que todo mundo quer fica cara: se todo mundo quer, quem tem vende mais ou menos pelo preço que quiser! Mas velharias que ninguém conhece? Como isso acontece?

Como eu disse, isso é fácil de entender com carta que todo mundo quer, especialmente em função dos formatos. Whisperwood Elemental tá na moda agora, já vi gente pedindo 50 conto nele. Ele é peça importante num deck que está dando resultado. Mas Splinter Twin também é, e custa quase o dobro!  Isso é por uma série de razões, mas uma das principais é o fato de que o pessoal ainda está abrindo rotineiramente boosters nos quais pode vir um Whisperwood Elemental. Ainda que você não costume comprar boosters, as pessoas nas lojas abrem, e tiram cartas da edição e com isso vão reabastecendo os estoques das lojas e dealers. Não é que seja impossível achar um booster de Rise of Eldrazi pra abrir um Splinter Twin, mas é muito mais difícil que achar um de Fate Reforged. E é mais difícil ainda com edições mais antigas. Mas poucas pessoas querem os boosters em si, o que importa são as cartas neles. Por isso quando as cartas são reimpressas (como as fetchlands em Khans of Tarkir) o preço das cartas cai. (como as fetchlands em Khans of Tarkir!)

Claro, existem cartas que são reimpressas até dizer chega. Birds of Paradise talvez fosse mais caro que Noble Hierarch se tivesse saído em apenas uma edição. Cartas que jogam e saíram em apenas uma edição costumam ser caras, e se são reimpressas, o preço afunda (como as fetc… Ah, você entendeu.). Mas algumas cartas ninguém realisticamente espera que sejam reimpressas, como Mana Drain, por serem poderosas demais.

Fetchlands em Khans of Tarkir

E outras, nunca mais serão impressas, não importa o quanto todo mundo queira.

Carrion Ants e a lista reservada
Isso custava mais de $25 até ser reimpresso, daí passou a valer quase $1.

Entenda, quando Magic nasceu, não existiam jogos de cartas colecionáveis. Existiam jogos, e existiam cartas colecionáveis, mas nunca as duas coisas se juntaram. E a cultura de colecionar cartas sempre foi fortíssima nos EUA, especialmente cards de esportes como baseball. Quando a Wizards lançou Unlimited, eles o fizeram com borda branca justamente pra diferenciar as cartas mais antigas (logo, mais raras) das “novatas”. O público em geral não gostou, mas não reclamou muito. Daí eles lançaram Era Glacial, que tinha várias cartas “repetidas” de edições passadas, e antes que a galera conseguisse reclamar de verdade, lançou Chronicles, que era 100% cartas de edições anteriores. A ideia de Chronicles era aumentar o tamanho do T2, que tinha sido recentemente criado e não fora muito bem recebido pelos jogadores. Mas a emenda saiu pior que o soneto. Tanta gente largou o jogo por causa disso que Bill Rose, o vice presidente da Wizards, fez um anúncio formal de que a Wizards desistira dos planos de ampliar o tamanho do T2 e de fazer edições de reprints.

Isso ajudou a situação, mas não tanto quanto o esperado. A Wizards criou então a Lista Reservada, uma lista de cartas que ela se comprometia a nunca mais reimprimir. Essa lista foi criada da seguinte forma: todas as cartas de Alpha e Beta que não foram reimpressas em Quarta Edição ou Era Glacial estavam na lista reservada, assim como todas as raras de Arabian Nights, Antiquities, Legends e The Dark que nunca saíram com borda branca. Além disso, todas as cartas lançadas teriam uma chance de ser reimpressa: se a carta não fosse reimpressa na primeira coleção básica lançada após a sua coleção original, ela nunca mais poderia ser reimpressa.

Serra Angel
O grande algoz da Lista Reservada!

Por isso que Dwarven Demolition Team estava na lista reservada (não saiu em Quarta Edição), mas Vampiric Tutor não (saiu na Sexta Edição). Quando saiu sétima edição, Serra Angel foi reimpresso, (note que ela não estava na lista reservada, pois foi reimpresso em Quarta Edição), um fenômeno interessante aconteceu: ao invés do preço das versões antigas cair, ele subiu! Ainda que a quantidade de Serra Angel no mercado ter aumentado, a demanda por Serra Angel aumentou muito mais! A Lista Reservada, que deveria impedir o preço das cartas de baixar, ao invés disso estava impedindo o preço de subir! Além disso, a Lista Reservada estava ficando gigantesca. Afinal, as coleções básicas tinham uma quantidade limitada de espaço, a esmagadora maioria das cartas caía pra lista reservada.

Nesse momento, o conceito de “jogo de cartas colecionáveis” já estava mais definido na cabeça das pessoas, e após uma enorme pesquisa com jogadores, a Wizards decidiu que não precisava mais da Lista Reservada. Anunciou-se então que não seriam mais adicionadas cartas à Lista Reservada, como que uma forma da Wizards dizer “Até hoje esse jogo era coleção, e a partir de hoje esse jogo é um jogo. Não compre cartas achando que ela vai valorizar, porque podemos reimprimir qualquer carta a qualquer momento.” Todavia, a Wizards havia se comprometido a nunca mais imprimir aquelas cartas que já estavam na Lista Reservada, e ela manteve sua promessa. As cartas que já estavam na lista continuariam imunes à reimpressão, mas a partir de Mercadian Masques, cuja última chance de reimpressão seria na Sétima Edição, nenhuma carta entraria na Lista Reservada.

Além de não adicionar mais cartas na Lista Reservada, a Wizards tentou uma coisa ousada: é óbvio que os colecionadores de Magic gostavam muito mais da Lista Reservada do que os jogadores, mas sua pesquisa de mercado deixou bem claro que ambos os grupos eram contra a inclusão de algumas cartas demasiadamente fracas em tal lista. Quem se importa se Lance ou Copper Tablet forem reimpressos? Em Março de 2002, foi anunciada a remoção de todas as comuns e incomuns da Lista Reservada, a única vez que cartas foram removidas de lá.

“Mas se os jogadores não gostam da Lista Reservada e os colecionadores não perdem nada com sua abolição, porquê ela continua existindo?”

Calma, garoto, meça suas palavras. Essa abolição parcial da Lista Reservada tratava de cartas no máximo incomuns, que tem uma tiragem muito maior que qualquer carta rara. A maioria dessas cartas retiradas da Lista eram cartas com fator nostálgico muito maior que monetário, como Clone e Juggernaut, e as que eram caras como Sinkhole nunca foram reimpressas em edições normais, apenas em versões promocionais. Mas quando a Wizards mexeu com isso, a merda fedeu:

Quando as regras da Lista Reservada foram escritas, não existiam cartas foil em boosters, mas elas eram usadas pra cartas promocionais, como Arena ou Pre Releases. Pra possibilitar eles próprios de escolher as cartas de Arena antes de decidir se uma carta estaria ou não na próxima coleção básica, a Wizards deixou na política da lista reservada uma cláusula que permitia que eles fizessem versões foil de qualquer carta na lista. E, como só existiam cartas foil em ocasiões promocionais, ninguém achou ruim.

E tudo isso mudou com Phyrexia vs. the Coalition.

Phyrexian Negator
Nem mesmo os funcionários da Wizards conseguem fazer frente à capacidade Phyrexiana de destruir as coisas boas…

Phyrexian Negator estava na lista reservada, e já havia sido reimpresso antes, como uma carta promocional para juízes. Ninguém esperava que ele causasse problemas. Mas em 15 de Março de 2010, quando a Wizards revelou quais seriam as cartas desse Duel Deck, anunciando que Phyrexian Negator estaria numa caixa colocada nas prateleiras das lojas que qualquer pessoa poderia comprar com a mesma facilidade que um booster de M11, a revolta entre os colecionadores foi tanta, tanta gente deu tanto chilique, vendeu coleção, deu escândalo nos fóruns da internet e o caramba que o valor das ações da Hasbro despencaram. O artigo foi ao ar na segunda feira, na quinta feira a Wizards anunciou todas as cartas da lista reservada que eles pretendiam lançar como promos pro resto da vida, explicando que estavam removendo de sua política a permissão de imprimir versões foil de cartas antigas. Até Mark Rosewater, lendário designer de cartas, se manifestou a respeito. Mark Rosewater sempre foi um abolicionista da lista reservada, mas após a polêmica de Phyrexia vs the Coalition, ele foi veementemente proibido de sequer falar sobre esse assunto.


E essa, meus amiguinhos, é a razão pela qual nós não vamos ver Dual Lands ou Power 9 sendo reimpressas. Não importa o quanto os jogadores queiram, ou o quanto os próprios funcionários da Wizards queiram, se uma rara que custa alguns centavos é capaz de balançar tanto assim a empresa, imagine o que aconteceria se fizessem o mesmo com Underground Sea. Não importa o quanto todos os jogadores gostariam que essas cartas fossem reimpressas, quem não quer que elas sejam é só o pessoal que gasta literalmente dezenas de bilhões de dólares todo ano nesse jogo.

 

Artigos Relacionados

3 COMENTÁRIOS

  1. Ótimo artigo, parabéns!
    A lista de reserva não impede eles de lançarem cartas com efeito similar porem outro nome correto?

    • Existe um limite de quão similar a carta pode ser. O melhor exemplo disso é Thunder Spirit, uma das cartas mais odiadas pelo R&D por estar na reserved list. Por causa do Thunder Spirit, eles não podem fazer uma criatura branca, 2/2 com Voar e Iniciativa por três mana. Só que esse tamanho e custo é muito bom pra “completar” a edição no fim da etapa de design, então eles já fizeram todas as variações possíveis disso: Já fizeram a criatura 2/1, já fizeram ela de duas cores, já fizeram de outra cor, já fizeram 1/1 com golpe duplo… Mas 2/2 Voar e Iniciativa por 1WW, jamais poderão fazer, independente do nome e tipo.

Deixe sua Resposta